quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

da galícia


a viagem pra galícia foi bem férias. férias de planejar, pesquisar, correr atrás, reservar, discutir, se estressar com os detalhes... enfim, férias de qualquer preocupação, afinal, fomos numa excursão dos erasmus da universidade de salamanca. pagamos uma taxa e ficamos de pernas pro ar, esperando que nos dissessem onde ir, o que conhecer, onde dormiríamos... devo dizer que foi bastante necessário, considerando que há pouco havíamos voltado do país basco e, dentro em pouco, iríamos para andaluzia - ambas viagens para conhecer várias cidades e de carro aka estresse lá em cima.


devo ser sincero ao dizer que perderei muitos detalhes escrevendo esse post, até porque a viagem aconteceu há mais de dois meses, mas isso que dá atrasar posts, né mesmo? depois ainda tenho que criar coragem de postar sobre andaluzia e londres - sem contar que barcelona e marrakech tão chegando em alguns dias pra fazer volume. (já chegaram e já se foram!)


mas então, cedo na madrugada do dia 25 de novembro, nos encontramos numa praça de salamanca, pertinho da puerta zamora, e pegamos o ônibus para santiago de compostela, cidade a cerca de 450km a noroeste de salamanca.


ficamos em um hotel muito bom, coisa de turista rico (bom mudar de ares de vez em quando). descansamos depois da viagem - não que eu não consiga dormir... quem já viajou comigo sabe. eu durmo em qualquer lugar. de qualquer jeito. uma pequena viagem mais recente mostra isso. ou um incidente quando voltava de jericoacoara também, mas isso é outro continente, foco.


tivemos umas horinhas livres antes do nosso walking tour começar, então saímos nós mesmos para conhecer as proximidades do hotel. passamos pelo parque carballeira de santa susana, bem simpático, com uma capela ao lado e vários monumentos. seguindo pelo parque, chegaríamos no campus universitário sul, mas como não tínhamos muito tempo, deixamos as faculdades pra lá e voltamos para o hotel.


parque carballeira de santa susana


nosso walking tour começou na parque de la alameda, ao lado das estátuas das duas marías, conhecidas por serem senhorinhas galegas típicas: super simpáticas e prestativas. enquanto nosso guia explicava isso, uma senhora galega se aproximou e realmente confirmou tudo, até contando algumas histórias sobre as tais marías.


obs.: tenho que admitir que esse foi o walking tour que menos prestei atenção na vida. era muita gente, o espanhol galego me dá preguiça de entender com seus sons frouxos e o guia era meio que uma criança com déficit de atenção e hiperatividade.


las marías e o guia.


seguimos em direção ao centro histórico, pelo paseo de los leones, e avistamos de longe a catedral de santiago. ela é imensa, não é à toa que está nas costas da moeda de cinco céntimos.


you shall not pass.


uia!


então foram várias histórias sobre os prédios ao redor, de como serviram de hospedarias, de lendas sobre gente que teve a cabeça decepada e eu ouvi ele falar sobre pokemon em algum momento enquanto morria de frio, tenho certeza - porque além de tudo, ainda fazia frio e garoava um pouco. deus não queria que eu prestasse atenção no guia, só pode!


hipocampos!  

e eu realmente só prestei atenção nos hipocampos...


entramos, então, na catedral de santiago de compostela pela mesma porta que o dito cujo entrara tantos anos atrás! era xacobeo, que só acontece quatorze vezes por século numa regularidade de 28 anos de 6-5-6-11 anos, sacou? o último foi em 2004 e o próximo só será em 2021.


sinceramente? ele entrou pela porta lateral. nada grandioso, nada diferente. deve surtir efeito se você é bem religioso. eu preferi abraçar a estátua de ouro pra me dar sabedoria e ver o túmulo de são tiago, o matamouros.


órgão gigante da catedral com a estátua do matamouros bem lá em cima.


demos uma volta de 360º na catedral e entramos de novo pra ver uma missa. no final, o botafumeiro (aahhh... essa palavra nos atormentaria pelo resto da viagem e eu nem sabia) gigante. originalmente, ele tinha a função também de desodorizar a catedral, já que muitos peregrinos do caminho de santiago iam assistir às missas sem, digamos, muita higiene pessoal. e cabe realmente muita gente na catedral, se só metade fosse de peregrinos, já seria um cheiro bem considerável. mas é uma sensação diferente ver o bendito sacodindo de um lado pro outro, precisando de uns seis homens pra dar conta.


esse no meio, embaçado, é o botafumeiro. ao lado, de vermelho, são os religiosos responsáveis por balançá-lo de um lado a outro da catedral.


à noite, fizemos um botellón no nosso quarto do hotel e depois fomos pr'uma festa onde provamos d'a queimada, uma bebida flambada com café. durante seu preparo, necessário recitar o conjuro. imagine erasmus de todo canto lendo em galego um conjuro em coro enquanto a labareda do caldeirão d'a queimada só crescia - isso não fez a bendita ficar boa, entretanto.


no dia seguinte, fomos para la coruña, onde dizem que hércules viveu por um tempo. na verdade, você descobre que os europeus adoram hércules, inventam que ele passou por todo canto, que é patrono de todo canto... bem carismático.


torre de hércules. olha a pomba querendo atrapalhar minha foto.


mas em la coruña temos a torre de hércules, um farol, erguido entre o mar azulzíssimo e a grama verdíssima. é um lugar lindo mesmo. não tão linda é a subida de centenas de degraus pra chegar lá em cima, mas aí a vista é linda de novo e tudo vale a pena. a torre seria a lápide de gerión, um rei gigante malvado que ele matou.


hércules matando gerión em um dos portões da torre.


estátua de hércules com a pele do leão de neméia na entrada da torre.


vista da torre, com a rosa dos ventos de cima.


na descida da torre de hércules, parei em um senhor ambulante para comprar meu ímã da cidade (sim, ainda compro ímãs. às vezes não consigo por razões variadas, mas um mapa também me deixa feliz. coisa de gente metódica obsessiva. só quero ver onde vou enfiar tanto ímã quando voltar)... e não é que ele sabia samba? cantava noel rosa como ninguém e já tinha conhecido algumas coisas do brasil. ficamos conversando um tempo com ele, que ainda nos deus presentes. grande seu antón!


e a rosa dos ventos de baixo.


quando eu morrer, não quero choro nem vela...


seguimos caminhando pela cidade e, na plaza de maria pita, ficamos livres para conhecer o que quiséssemos. essa praça, vale destacar, é a única que se equipara à salamanca de todas as que eu vi na espanha até agora. lindíssima!


um dos lados da plaza de maria pita.

if you ever get close to a human... and human behaviour!


fomos comer alguma coisa e, procurando um supermercado (sempre no esquema áfrica de viajar), encontramos uma pracinha infantil cheia de referências ótimas no chão! desnecessário dizer que ficamos feito bestas tirando fotos do chão, posando com os personagens e seus criadores por um tempão.


saímos pra conhecer um pouco mais da cidade, passeamos pelas ruas, percebendo o quanto o galego é um meio-termo entre o espanhol e o português (com uma pitada de miguxês, com todos os seus "x" em todo canto). terminamos nossas andanças na cidade no museo arqueolóxico e histórico.


uma vista linda, armas antigas (desde espadas até revólveres), canhões, um barco... bem interessante mesmo.


museu arqueológico ao fundo. 

terraço do museu.


voltamos para santiago, mais uma noite de festas e dormir pra aguentar o resto da viagem. nosso próximo destino foi fisterra, onde os antigos acreditavam que o mundo terminava, aquele esquema da cachoeira que levava pro além. essa é realmente a impressão que temos, principalmente com as nuvens negras que estavam se aproximando.


 fim dos tempos?

fim dos tempos!


foi mais uma visita pra apreciar a vista e comer. compramos alguma coisinha e fomos atrás de um lugar pra arranjar um mapa, já que nossa passagem pela cidade foi justamente no horário da siesta, ou seja, nada aberto. entramos, então, num albergue, onde fomos atendidos por um cara meio esquisito... que se mostrou muito mais esquisito ao longo da conversa.


o indivíduo era polonês, falava espanhol nenhum e um inglês carregado de sotaque. nos ofereceu presentes, disse para voltarmos lá em meia hora que ele teria feito (cuma?) lembranças da cidade pra gente. quando ele percebeu o bottom de dark side of the moon de um amigo nosso (saca a luz passando pelo prisma, do pink floyd?), desatou a dizer em como a banda tinha uma música louca, psicodélica, que seus pais gostavam e ele também, até que os gays destruíram o significado do arco-íris.

ok. pegamos nossos mapas - xerox, mal valeu a pena! - e saímos rápido como quem rouba. quase nos encontramos no supermercado ainda, mas conseguimos despistá-lo... só pra sermos perseguidos por outra pessoa depois.



ironia... fugimos do tiozinho pra encontrar um arco-íris.

um husky siberiano que não largou da gente o resto do nosso tempo na cidade, que ficamos sentados conversando, olhando o mar e tirando fotos pulando, chamando os erasmus que passassem por perto pra nos acompanharem.


antes de ir embora, descobrimos que joe, o husky, na verdade era joanne, A husky. grandes revelações em fisterra!


:3


seguimos para vigo e chegamos lá já à noite, mas o objetivo era só conhecer a festa da cidade, então estávamos dentro do programado.


mais um hotel dos melhores e saímos para jantar. bocadillos, tapas e vinho, o quanto conseguíssemos ingerir. foi uma noite de muita comida e muita bebida - e conhecer uma alemã de um metro e meio de altura que talvez seja uma das pessoas mais loucas dessa cidade.


voltamos a pé para o hotel e nada mais me lembro. em vigo, infelizmente, não levei minha câmera, então não tenho fotos aqui - mas tenho certeza que alguém tem fotos minhas na praça dos cavalos que vão pro céu. e, como vocês puderam perceber, não sei nada de vigo. que são esses cavalos? não tenho idéia.


no dia seguinte, a última cidade: baiona (não confundir com bayonne, no pays basque français). logo no início, conhecemos a caravela pinta - sua réplica, na verdade -, uma das utilizadas nas navegações de colombo.


areia, mar e sol! me senti em casa - mentira, tava frio.


molhei os pés no mar gelado, caminhei pelo parque de a palma e paseo pinzón, cruzando da playa ribeira até a playa concheira, dando a volta no monte boi, aos pés do qual tivemos um grande momento de integração entre os erasmus (eles são todos muito orgulhosos de serem erasmus, num estilo 300 de esparta de ser), onde ganhamos umas pulseirinhas com as cores da bandeira da galícia, azul e branco, para nos identificarmos no futuro. tão singelo!


vista de cima do monte boi.


saímos caminhando pelas ruelas da cidade, comemos em um barzinho e terminamos a visita subindo até a virgen de la roca, que abençoa os navegantes. vista, mais uma vez, belíssima.


la virgen de la roca.


pegamos o ônibus de volta pra salamanca, numa viagem sem grandes emoções, e chegamos no frio da madrugada. muitas despedidas ao descer do ônibus, de todos os novos conhecidos, e a interminável caminhada até chegar em casa.


deitar pra descansar só pensando que em menos de uma semana estaríamos pegando o carro pra andaluzia. foi um mês movimentado!

2 comentários:

Unknown disse...

Que bom que o blog voltou! Bem legal essa viagem: Gandalf, Pink Floyd, arco-íris, cachorro...

Um abração. Estamos com saudades!

Livia disse...

Aeee!! Voltou, amém! Agora vê se hurry up que eu quero ver Londres, Marrocos e tu careca. xD

E que fotos mais lindas e passeio mais cultural e europeu e UNF. :~ Quero pra mim pra sempre. *-*