quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

do país basco (parte I - o país basco do sul)

bom... vamos lá. fazer esses próximos três posts vai ser bem tenso porque eu deixei passar muito tempo pra escrever sobre as viagens, então provavelmente não vai ser tão fluido.

a viagem pro país basco, no norte da espanha e sudoeste da frança (pays basque français) ocorreu no dia 19 de novembro, há quase um mês. nesse post, falarei sobre nossa visita a cidades bascas situadas no território espanhol, ou país basco do sul.

alugamos um carro numa locadora próxima daqui de casa, que, pelas nossas pesquisas, é a com o melhor custo-benefício quando se analisa o preço, modelo do carro e quilometragem disponíveis. seu único problema é que não tem GPS nem pra alugar, então temos que nos confiar no via michelin e placas pelas estradas. bom, entre trancos e barrancos, sempre chegamos e voltamos são e salvos até agora.

a uns 450km a nordeste de salamanca, fica a cidade de san sebastián, ou donostia, em euskera. ah, uma coisa importante: no país basco, eles têm um idioma próprio, que é o euskera. não tem nada a ver com espanhol nem com francês, menos ainda com inglês ou alemão. na realidade, não se sabe qual a raíz desse idioma, sendo considerado um simplesmente como indo-europeu, e eu posso atestar que é bizarro. parece sopa de letrinhas.

mas enfim, umas cinco horas de viagem de carro e chegamos a san sebastián, uma das cidades mais conhecidas do país basco, e fomos atrás do nosso albergue.

rodando de carro e seguindo o mapa, percebemos que a rua do nosso albergue estava no centro histórico e que seria impossível chegar lá dirigindo, uma vez que essas ruelas são só para pedestres (oh... quantas e quantas vezes passaríamos por isso ainda no futuro...), então paramos nosso carro num estacionamento pago o mais próximo possível do hostel e fomos correndo.

chegando no albergue, vimos que era um prédio comum com um de seus andares destinado aos viajantes. tocamos a campainha e nada de ninguém atender. tocamos de novo... silêncio. mais uma vez e novamente silentes. isso se repetiu umas trinta a quarenta vezes - vou parar por aqui por falta de sinônimos -, até que um vizinho colocou a cabeça para fora de sua janela e nos avisou que o responsável tinha saído pra dar uma volta.

mas peraí, comassim "saiu pra dar uma volta"? eram quatro da tarde, estávamos no nosso horário previsto para check in. como pode não ter ninguém?
mas tá, não vamos deixar isso estragar nossa viagem. aproveitamos que tínhamos visto um centro de informações turísticas a uns quarteirões de distância e fomos lá. melhor aproveitar o tempo e conhecer alguma coisa que simplesmente sentar na calçada e esperar, certo?

nos informamos acerca dos locais a serem conhecidos, restaurantes, distâncias para outras cidades e o mais importante: lugar pra estacionar de graça.

infelizmente, o local apontado pelo rapaz foi a bordinha do mapa (ah... quantas vezes passaríamos por isso ainda no futuro...). sim, teríamos que andar meio mapa da cidade pra chegarmos do carro ao albergue todos os dias. mas a gente tem perna e saúde pra que, né? tiramos o carro do estacionamento e lá fomos atrás da vaga perfeita.

rodamos mais um tantinho até encontrarmos um espaço livre numa paralela a uma avenida grande (dica número um, estacione sempre próximo a avenidas grandes, assim fica mais fácil de se situar ou pedir informações depois), em frente a um condomínio de casas (dica número dois, estacione preferencialmente onde há movimentação de carros e pessoas. você pode estar na europa, mas ninguém é santo). sucesso!

voltamos andando para o albergue (sabe que a distância nem era tanta? essas cidadezinhas enganam. não era nem meia hora de caminhada. aaahh bem!) e aproveitamos para conhecer logo um pouco da cidade.

comemos em uma vendinha cuja dona era muito simpática. sabia vender seus bocadillos como ninguém. depois seguimos e tiramos fotos de prédios aleatórios e da praia (praia! e que vento frio. a água do mar passava por baixo das pontes e, na baía, havia uma ilhota - a ilha de santa clara, isla santa clara ou santa klara uhartea).


padaria familiar. olha o euskera aí, gente!

 prédios aleatórios.

em primeiro plano, senhora pensativa. em segundo plano, ilha de santa clara. em terceiro plano, outra extremidade da baía da concha.

quando chegamos ao albergue, felizmente, o tio já tinha voltado de seu passeio. juro que tentei ficar com raiva, mas o albergue era tão cheiroso, tão limpinho e ele foi tão atencioso, que esqueci esse mal entendido em dois tempos: tínhamos um quarto só pra gente com camas macias e mantas quentinhas! o albergue tinha dois banheiros e um lavabo (ou três banheiros...? não lembro mais), todos limpinhos e cheirosinhos. hum!

saímos para ver um pouco da cidade à noite e comprarmos provisões no supermercado para os dias seguintes, porque o esquema de viagem é áfrica. tem gente que paga pouco em acomodação pra gastar bem em comida, tem gente que paga pouco em comida pra disfrutar de uma boa acomodação. no meu caso, economizo tanto na comida como na acomodação pra poder estar fazendo o diabo dessa viagem.

plaza mayor. acho que não dá pra ver, mas cada janela dessas tem um número... é que a plaza era utilizada como arena de touros e essas janelas eram os locais a serem comprados.

 erm... não acho que tenha nome, mas era um praça onde meio que funcionavam os centros de vendas da cidade, tipo a venda de peixes, de frutas e verduras... essas coisas telúricas.

no dia seguinte, fomos em direção ao porto da cidade, onde ficam bem próximos o aquário e o museu naval também, e seguimos pelo passeio à beira-mar até a "construção vazia" (construcción vacía ou eraikuntza hutsa), escultura em uma ponta da baía da cidade.

 donostiako portua (puerto de donostia aka san sebastián)

cartão postal à venda no aquário. es un chiste! lo pillas?

 vaziiiaaa...

de lá, fomos subindo o monte urgull (seria o euskera o dialeto orc? tolkien, tolkien... tô de olho nas suas criações linguísticas!), mas nos deparamos com um portão fechado. perguntei a um senhor de idade que passava na rua e - nossa, ele foi muito simpático. uma coisa que me deixa realmente feliz é quando as pessoas na rua são simpáticas e prestativas, e tive a sorte de encontrar muitas assim - ele me indicou vários caminhos pra chegar lá em cima, finalizando com "ou então você pode fazer como eu fiz e pular esse portão trancado".
HA! se ele fez isso, também posso. e assim fizemos, pulamos todos o portão. uns com mais facilidade que outros, é verdade... e seguimos nosso caminho.

a vista do mar era incrível. constrastar a grama bem verde com o mar bem azul e o céu... uf! à medida que andávamos, fomos percebendo o quanto aquele lugar seria um cenário perfeito para um filme de terror. chegamos num local onde havia um pequeno altar de pedra e uns círculos pintados no chão... esquisito. depois, encontramos um cemitério bem pantanoso de militares ingleses e, lá em cima, um centro de tiro ao alvo com um túnel depois, para seguir subindo. passar por esse túnel foi uma das sensações mais esquisitas que já senti. mas... erm... nada de sobrenatural. claro que não.


somewhere beyond the sea...

 "sacred in the memory of whiliam i. m. tupper, colonel of the 6th scotch bal and late of the 23º r.w.e. who at the head of his regº at the taking of ayete on the 5th of may 1836 fell mortally wounded at 32 years of age", como diria uma das tumbas do cemitério.

 túnel bizarro. quer dizer, parece medíocre, mas... bbrrrr.

subimos mais e chegamos ao castillo de la mota, que funcionava também como um museu, ou history house. passamos um tempo lá, soubemos um pouco da história da cidade (que, inclusive, já foi quase completamente destruída por incêndios) e aproveitamos a vista do alto do monte urgull.


 bahía de la concha aka kontxako badia

a baía com a ilhota no meio. iansã!

descemos e fomos nos preparar para nossa ida a bilbao. tempo era curto e eram 100km de estrada até lá!

cerca de uma hora de viagem a leste, chegamos a bilbao. rodamos um pouco atrás do museu guggenheim e conseguimos, com muita sorte, uma vaga não muito distante, ao lado de um parque perto da plaza sagrado corazón.

passeamos um pouco pelo parque e nos sentamos para comermos nossos sanduíches (pão, queijo, presunto e salada. poisé, pelos menos tínhamos salada em nossos sanduíches, pra manter um mínimo de nutrição balanceada). depois fomos, enfim, ao guggenheim, motivo da nossa ida a bilbao.

chovia, mas não o bastante para nos atrapalhar a ver o famoso cachorrinho da entrada nem de nos determos um pouco tentando entender a arquitetura bizarra do museu. não é muita surpresa ver que por dentro ele não é muito mais normal.


 o guggz de lado...

 ...de frente...

 ...e por dentro. ops, foto clandestina, nem podia, hein?

o resto do dia quase todo foi dentro do guggenheim. como cada pessoa tem o seu tempo de contemplação e seus favoritos - aprendemos isso em madrid, com os museus do prado e reina sofia -, combinamos que nos encontraríamos quando o museu fechasse na sua entrada. essa é uma boa técnica, porque nem que alguém queira pode se atrasar. assim, a gente tem o tempo inteiro disponível pra gastar vendo o que quiser no museu, sem perigo de um ficar puxando o outro pra ver algo que não lhe interessa tanto.

enfim, eu rodei o museu inteiro. tivemos uma visita guiada pela exposição temporária, de pintura holandesa e flamenga (da região de flandres. destaco isso porque, quando li, achei que fosse relacionado ao flamenco, a dança andaluz, porque em espanhol é "flamenca" hahahahaeiuahe).

se eu tivesse feito esse post lodo depois da viagem, certeza que escreveria mais sobre a exposição, mas como tenho mais posts pra fazer, deixo vocês se divertirem na wikipedia e no google images, sabendo que vimos desde paisagens até retratações de momentos históricos, passando pela natureza morta e retratos. aproveitem!

outro andar do museu era dedicado a uma exposição - bizarríssima - contemporânea multimedia sob o título de haunted. eu achei interessante, mas há quem tenha achado só de mau gosto. tinha umas coisas bem perturbadoras, é verdade.

e também os permanentes, como a icônica aranha de metal (bronze, mármore e aço inoxidável) "mamá", um tributo da artista à sua mãe.

maman, simbolizando a ferocidade do amor materno ao mesmo tempo que sua fragilidade. oh!

saímos do museu debaixo de chuva bem mais pesada e corremos para o carro, com o desejo de voltar pro albergue e nos enfiarmos debaixo das mantas quentinhas. nossa, aquelas mantas eram muito boas. chegando lá, nos informamos acerca do pays basque français com o dono do hostel, viagem que faríamos no dia seguinte, e ele nos indicou a pequena saint jean de luz, que estaria no caminho de biarritz e bayonne, que já havíamos nos programado para conhecer.

no dia seguinte, seguimos para a parte do país basco situado no território francês, mas isso é assunto pro próximo post. o que interessa dizer ainda aqui, é que no dia posterior ao nosso retorno da frança, fomos numa saga atrás de uma refeição tipicamente basca, já que san sebastián era conhecida pela sua gastronomia - oportunamente, um congresso de culinária acontecia na cidade e a inundava com cheiros ótimos. quer dizer, ótimos pra quem participava do maldito congresso! e nós, que sentíamos todo tipo de cheiro gostoso e nos contentávamos com um sanduíche ou porçãozinha de salada em conserva?

bem, falhamos. ou os preços estavam fora do nosso orçamento ou o restaurante estava em difícil acesso, já que não estávamos mais livremente a pé, já que tínhamos feito check out e tirado o carro de nossa vaga estupenda, que nos acompanhou durante toda a viagem.

comemos uns bocadillos - muito bons, se vale de consolação - e conhecemos a outra extremidade da bahía de la concha, o monte igeldo. não tivemos disposição para subir, então nos contentamos com a vista do nível do mar e dos "pentes do vento".

 esse trambolho de ferro aí na pedra é o tal "pente do vento".

e aqui ele de novo, com a ilha de santa clara e a outra extremidade da baía como fundo.

retornamos para salamanca pulando nossa visita programa a vitória (aka gasteiz), porque todos nos disseram que não tinha o que conhecer por lá e que não era sequer uma cidade bonita, uma vez que já havíamos conhecido san sebastián, bilbao e mais algumas francesas.

chegamos na nossa cidadezinha e foi quando eu finalmente peguei no carro pra estacioná-lo perto da estação de trem. ah! não mencionei isso. somos cinco: um não tem carteira, outro a esqueceu no brasil, outra não tem costume de dirigir, restando a motorista titular e eu, navegador e motorista reserva.

e pra vocês que caçoam dos navegadores, saibam que é um trabalho respeitável de muita responsabilidade, uma vez que quase nunca conseguimos seguir as rotas do via michelin tal e qual estão discriminadas e temos que criar nossas próprias. o destino de todos no carro está nas minhas mãos. respect my authority.

2 comentários:

Unknown disse...

Muito bem...mais uma viagem interessante. Esse foi um dos posts que parecem enormes à primeira vista, mas quando acabam queremos mais.

Patricia disse...

só quem dirige 500km na autopista!
adorei o post, mas cuidado pra não deslizar no português, hein? não abandone a lingua mãe só porque tá morando fora! ;*