como mencionado no post anterior, estávamos na espanha, no país basco (ou o politicamente correto é dizer o contrário? sempre fico em dúvida com essas áreas separatistas), quando chegou nosso dia de ir finalmente para além dos limites da península ibérica: france, on y va!
pegamos nosso carrinho e nos dirigimos para a cidade indicada pelo dono do hostel: saint jean de luz, uma cidade miudinha, meu deus! mas que coisa mais fofa. localizada a meros trinta e poucos quilômetros a nordeste de san sebastián, não demorou muito mais que meia hora pra que chegássemos lá. detalhe que fomos tensos, esperando passar por imigração a qualquer momento, numa curva em uma autopista aleatória... mas nada, ninguém nem tchum pra gente. entramos no território francês sem problemas, fizemos uma festinha dentro do carro por mais uma país na nossa lista e voltamos nosso foco em conhecer a cidadezinha.
procuramos locais para estacionar o carro, mas achamos mais prudente pedir informações antes. dicona: aos domingos, os quiosques de informações turísticas estão fechados. vem cá, de quem foi a magnífica idéia de dar folga a esse povo aos domingos, hein? sinceramente. porque não numa terça ou quarta? respeitem os domingos, mermão, é final de semana. final de semana, liberdade. liberdade, viagens. viagens, turistas. turistas, INFORMAÇÕES TURÍSTICAS. fica a dica pros responsáveis por isso.
enfim, pelo menos assim seguimos para a melhor opção (melhor ainda que ficar catando oficina de turismo feito louco pela cidade), que é se fazer de coitado e pedir informações em hotéis. siga-me: sempre estão funcionando, sempre tem alguém na recepção e não falta hotel em cidade nenhuma. é o truque, mais uma dicona pra vocês.
paramos em frente a um pequeno hotel. respirei fundo. revisei o "je suis brésilien" enquanto caminhava em direção à porta e entreguei a deus. quando abri a portinha, me deparei com uma escadaria sem fim coberta por tapetes descendo até o saguão, onde ficavam vários sofás, uma mesa de bilhar, plantas, esculturas, um cachorro dormindo ao lado da lareira e um balcão vazio.
frio na barriga. tinha a cara de um bed & breakfast muito do alto nível e eu ia lá infernizar a vida da hostess com minhas perguntas num francês sofrível de um semestre basicão. ela ia me comer vivo, já tinha aceitado isso na minha cabeça, mas eu era o bode expiatório do nosso grupinho.
apertei o sininho e a senhora apareceu em pouco tempo, me saudando com aquele sotaque que me deixou tensíssimo. de algum jeito, consegui explicar sem rodeios que era turista, mas a oficina de turismo estava fechada e eu gostaria muito de um mapa. eu ia parar por aí, mas quando ela me entendeu de primeira, me respondeu e, melhor de tudo, eu entendi perfeitamente o que ela disse, não consegui me conter. passei uns quinze minutos conversando com a criatura, perguntando tudo pra ser feito na cidade e na região inteira, ela saiu me mostrando povoados à beira-mar, nas montanhas e tudo mais, entre pausas pra levar seus hóspedes para o café da manhã na cozinha.
agradeci muito e saí, vitorioso, com meu mapa e dicas de um mundo de coisas pra fazer. subi as escadas e saí do hotel sem conseguir conter um sorriso de orelha a orelha: é, meu bróder, meu francês me foi o suficiente! e daí que eu só sei o presente simples? não preciso de passado nem futuro pra pedir informação. HA. o dia inteiro já teria sido um sucesso se dependesse só disso.
estacionamos, enfim, nosso carro (dicona: aos domingos, os estacionamentos são grátis. o que não implica que você pode estacionar em locais proibidos, hein? não fizemos isso, mas ouvi um mundo de gente que achou que domingo era liberou geral. nem é).
fomos para a baie de saint jean de luz, ver o mar do pays basque français, sentir aquela ventania gélida no rosto enquanto caminhávamos pela orla, com suas casinhas de bonecas com os nomes das famílias nas portas.
pegamos nosso carrinho e nos dirigimos para a cidade indicada pelo dono do hostel: saint jean de luz, uma cidade miudinha, meu deus! mas que coisa mais fofa. localizada a meros trinta e poucos quilômetros a nordeste de san sebastián, não demorou muito mais que meia hora pra que chegássemos lá. detalhe que fomos tensos, esperando passar por imigração a qualquer momento, numa curva em uma autopista aleatória... mas nada, ninguém nem tchum pra gente. entramos no território francês sem problemas, fizemos uma festinha dentro do carro por mais uma país na nossa lista e voltamos nosso foco em conhecer a cidadezinha.
procuramos locais para estacionar o carro, mas achamos mais prudente pedir informações antes. dicona: aos domingos, os quiosques de informações turísticas estão fechados. vem cá, de quem foi a magnífica idéia de dar folga a esse povo aos domingos, hein? sinceramente. porque não numa terça ou quarta? respeitem os domingos, mermão, é final de semana. final de semana, liberdade. liberdade, viagens. viagens, turistas. turistas, INFORMAÇÕES TURÍSTICAS. fica a dica pros responsáveis por isso.
enfim, pelo menos assim seguimos para a melhor opção (melhor ainda que ficar catando oficina de turismo feito louco pela cidade), que é se fazer de coitado e pedir informações em hotéis. siga-me: sempre estão funcionando, sempre tem alguém na recepção e não falta hotel em cidade nenhuma. é o truque, mais uma dicona pra vocês.
paramos em frente a um pequeno hotel. respirei fundo. revisei o "je suis brésilien" enquanto caminhava em direção à porta e entreguei a deus. quando abri a portinha, me deparei com uma escadaria sem fim coberta por tapetes descendo até o saguão, onde ficavam vários sofás, uma mesa de bilhar, plantas, esculturas, um cachorro dormindo ao lado da lareira e um balcão vazio.
frio na barriga. tinha a cara de um bed & breakfast muito do alto nível e eu ia lá infernizar a vida da hostess com minhas perguntas num francês sofrível de um semestre basicão. ela ia me comer vivo, já tinha aceitado isso na minha cabeça, mas eu era o bode expiatório do nosso grupinho.
apertei o sininho e a senhora apareceu em pouco tempo, me saudando com aquele sotaque que me deixou tensíssimo. de algum jeito, consegui explicar sem rodeios que era turista, mas a oficina de turismo estava fechada e eu gostaria muito de um mapa. eu ia parar por aí, mas quando ela me entendeu de primeira, me respondeu e, melhor de tudo, eu entendi perfeitamente o que ela disse, não consegui me conter. passei uns quinze minutos conversando com a criatura, perguntando tudo pra ser feito na cidade e na região inteira, ela saiu me mostrando povoados à beira-mar, nas montanhas e tudo mais, entre pausas pra levar seus hóspedes para o café da manhã na cozinha.
agradeci muito e saí, vitorioso, com meu mapa e dicas de um mundo de coisas pra fazer. subi as escadas e saí do hotel sem conseguir conter um sorriso de orelha a orelha: é, meu bróder, meu francês me foi o suficiente! e daí que eu só sei o presente simples? não preciso de passado nem futuro pra pedir informação. HA. o dia inteiro já teria sido um sucesso se dependesse só disso.
estacionamos, enfim, nosso carro (dicona: aos domingos, os estacionamentos são grátis. o que não implica que você pode estacionar em locais proibidos, hein? não fizemos isso, mas ouvi um mundo de gente que achou que domingo era liberou geral. nem é).
fomos para a baie de saint jean de luz, ver o mar do pays basque français, sentir aquela ventania gélida no rosto enquanto caminhávamos pela orla, com suas casinhas de bonecas com os nomes das famílias nas portas.
venta pouco, hein?
otchi mamãe!
descemos em direção a alguns pontos turísticos, sem muitas esperanças, já que a cidade era muito pequena e nos fora indicada mais pela sua beleza simples mesmo. chegamos à praça Louis XIV e pensei "nossa, que original. aposto como toda cidadezinha da frança tem uma dessas", mas eis que nos deparamos com uma tal de maison de louis xiv e, então, com o clichê-mor dos pontos turísticos: uma igreja.
praça Louis XIV
eglise saint jean baptiste
pracinha aleatória no caminho :3
argh! como estou cansando de turismo religioso. sério, só viajo pra ver igreja e convento e mosteiro e catedral e arte sacrzzz...
mas essa não era uma igreja qualquer. tinha uma plaquinha de ferro na frente que dizia: pour leur mariage, le 9 juin 1660 par louis xiv roy de france et de navarre et marie therese d'autriche infante d'espagne.
era a igreja que tinha sido palco do casamento entre frança e espanha, numa cidadezinha tão miudinha! tive que entrar, porque agora era turismo histórico dos melhores, não mais meramente religioso.
por dentro a igreja impressionou mais ainda. parecia ser tão pequena, mas tinha vários andares de balcões - todos lotados para a ocasião de uma missa com coral e órgão. fiz um vídeo, claro, mas pesado demais para ser hospedado aqui, infelizmente -, foi fantástico. me prostrei no fundão com minha câmera na mãe, tentando não parecer muito deslumbrado nem ser rechaçado pela população local.
saímos da igreja com a sensação de dever cumprido, já tinha valido a pena conhecer a pequena saint jean de luz. fomos dar mais uma voltinha na cidade, passeamos pelo parc ducontenia (para chegar lá, pegamos a boulevard victor hugo. só pra dizer mesmo hahahahauae) e voltamos para pegar nosso coche e seguirmos nosso caminho.
dizem que tem um teatro nesse parque. procurei... perguntei... nada :~
mais uns vinte e poucos quilômetros a nordeste, chegamos na cidade de bayonne, uma das três grandes do pays basque français (juntamente com biarritz e anglet, formando o conglomerado BAB).
óia o rio! óia a ponte!
bom, essa cidade me decepcionou. cheguei lá com grandes expectativas, porque nos havia sido indicada por uma companheira francesa das aulas de espanhol para estrangeiros como sua cidade favorita daquela região. e, pra ser sincero, não achei nada na cidade que valesse a pena uma visita.
claro, talvez o fato de ser um domingo e a cidade estar fantasmagoricamente vazia, a ponto de mal termos a quem pedir informações (destaque pra moça tão simpática da padaria perto da catedral: você foi ótima!), tenha influido. o que importa é que a cidade estava morta e não encontramos nada relevante historicamente ou culturalmente que não encontraríamos similares em outras cidades. e isso é até pedante de se dizer, porque em todo canto aqui a gente encontra artefatos ou construções centenárias, se procurarmos - e não precisa nem ser a fundo, qualquer busca na wikipedia confirma - encontramos relatos históricos de sei lá quantos povos na região da cidade... enfim, é como se não se desse um passo em falso para não esbarrar com um pedaço considerável de história. #contraditório
conhecemos a catedral da cidade, alguns parques aleatórios, um memorial aos mortos em bayonne pela pátria francesa, uma sinagoga acabada num bairro acabado... e ainda choveu, o clima não estava bonito. é, bayonne, talvez tenha sido muita falta de sorte nossa mesmo, mas você não me convenceu.
cathédrale sainte marie de bayonne aka notre dame de bayonne
memorial aos mortos pela pátria. o mais legal é - não sei se dá pra perceber pela foto - que ainda deixam flores.
praça com algum prédio lá atrás... prefeitura? erm... óia o céu!
seguimos nosso caminho para biarritz, menos de dez quilômetros a oeste, em quinze minutinhos estávamos lá. novamente, busquei hotéis por informações, já cheio de mim e do meu francês invencível (aguardem por mais viagens à frança. sinto minha auto-estima caindo vertiginosamente quando eu for pra paris).
ficamos sabendo que à noite a iluminação da cidade era uma das coisas mais bonitas do mundo - dica vista por um dos nossos num blog de um mochileiro aleatório. confiamos, né? estacionamos e fomos fazer nossa caminhada pela orla inteira, desde a plage port vieux - onde eu fui correndo até o mar e, uns tantos metros antes de onde as ondas chegavam, a areia se tornou movediça e bateu quase no meu joelho. nada legal (mentira, ri muito na hora, foi divertido) -, até a grande plage.
no caminho, passamos pela esplanade des anciens combattants, com um monumento aos mortos pela pátria francesa (menos suntuoso que o de bayonne, é verdade) e uma formação rochosa peculiar, na qual esculpiram bancos, escadas e um mirante para o mar.
irmão mais novo do de bayonne.
do alto de um mirante, com a virgem da rocha no final da passarela.
vista do mirante. vinha tempeestade, hein?
perto do musée de la mer, havia uma passarela por cima do mar até a rocher de la vierge, onde estava a estátua da virgem do rochedo. as ondas estavam fortes e a diversão parecia ser esperar que ela quebrassem contra o rochedo e respingassem na gente. esperamos, esperamos, esperamos... e nada! até que respingou um pouquinho, e quando íamos nos dando por contentes...
corre, negrada!
um grupo de turistas da terceira idade aplaudiu freneticamente e pediu por mais. é, né? não eram eles que iam enfrentar o vento frio com a roupa molhada agora. mas valeu a pena e faria tudo de novo!
caminhamos até a eglise sainte eugenie e, depois de passear mais um tantinho, chegamos à miremont, uma maison de 1872. pedimos um croissant cada um e uma mesa. o host, percebendo que éramos de fora, perguntou se havíamos feito reserva e, ao ver minha cara tensa, disse que ia procurar uma mesa.
fomos levados ao andar superior, uma mesa quase no canto do salão, do lado do espelho, onde sentamos em cadeiras confortáveis e ouvimos gente conversando em vários idiomas. enquanto esperávamos o pedido, me peguei lendo o cartãozinho de apresentação do estabelecimento "...na hora do chá, em miremont há menos pastéis que rainhas e menos babas ao rum (?) que arquiduques...".
pra combinar bem com o lema de biarritz - rainha das praias, praia das rainhas -, rei da espanha, rei da inglaterra, rainha de portugal, rainha da sérvia, pra mencionar alguns, já haviam estado naquele mesmo salão, talvez comendo também croissants - mas muito provavelmente não bebendo tap water, como a gente.
ma maison :)
eglise sainte eugenie
croissant! deliciosíssimos, diga-se de passagem.
salão do miremont com vista pro mar, onde ficamos. uma das rainhas mencionadas gostava de sentar-se bem perto dessa janela para sentir como se tivesse o oceano aos seus pés.
o resto da tarde foi de conversa jogada fora naquele ambiente agradável. esperamos anoitecer, esperamos uma chuvinha que havia começado terminar e saímos para ver a tão esperada iluminação da cidade de biarritz. zero, viu? não digo que era feia, digo que simplesmente não tinha. voltamos pelo mesmo caminho que havíamos feito mais cedo e, por vezes, não conseguimos ver direito onde pisávamos. a única luz que se destacava era o farol ao longe e as luzes das mansões e dos casarões salpicadas.
pegamos nosso carro e voltamos os cinquenta quilômetros (à noite e debaixo de chuva. mas o que é uma viagem sem emoção, não é mesmo?) para san sebastián depois de um dia no pays basque français, nossa excursão proveitosa e mais que merecida para fora da península ibérica. por termos feito três cidades em um dia, obviamente deixamos de conhecer algumas coisas que teriam sido interessantes - em sua maioria, localizadas em biarritz -, mas foi muito proveitosa, ainda assim.




















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