quarta-feira, 1 de setembro de 2010

de lisboa

acordamos, enfim, algumas horas depois de nos deitar naquelas camas maravilhosas. descemos para tomar o café da manhã - fora da nossa diária, diga-se de passagem, acabamos tendo que pagar por fora. ops! - e sair pelas ruas.

direto pro shopping vasco da gama! é bonito e saímos de lisboa como clientes conhecidos, acho que não passou um dia sem que fôssemos por lá. compramos nossos eletrônicos (este linod netbook que eu uso incluso, juntamente com minha câmera digital e meu mp4. sou um mocinho da era digital agora. só falta comprar meu celular pré-pago de vinte euros) e umas besteirinhas mais.

destaque para meu almoço no KFC. gente, como frango é bom. adoro frango. e pensar que só recentemente descobri as maravilhas dos sanduíches de frango do mc donalds? chicken barbecue, chicken mc junior, vêm pra mim!

atravessando a rua, em frente ao shopping, temos a estação oriente, de comboios (aka trens) e ônibus. é uma construção baseada num disco voador, com uma estrutura de metal ovalada que chama atenção mesmo. fomos atrás de comprar nossas passagens de trem lisboa-salamanca.

tudo lotado pelos próximos vários dias. assim, sem rodeios para más notícias.
a agência que vendia as passagens de ônibus já havi fechado.
um táxi sairia por mais de 500 euros.

tá, querem me matar do coração?

voltamos para casa derrotados, sem sabe como iríamos para salamanca somente dois dias depois. mas o que é um intercâmbio sem emoções, não é mesmo? dando tudo certo no final (e isso é spoiler, já estou em salamanca), que mal tem? arrumamo-nos no hotel e seguimos para jantar numa casa de fados, alguma-coisa-bacalhau de molho, cujo nome inteiro eu esqueci.

entrei sozinho, meu pai esperava enquanto minha mãe terminava de fumar um cigarro do lado de fora. todos me julgaram com olhares fulminantes. sentei à mesa e, em pouco tempo, a iluminação baixou suavemente, enquanto dois senhores e uma moça entraram por uma pesada porta de madeira que se abriu. eles seguiram pelo restaurante e sentaram-se em bancos ao lado da mesa que eu estava, quase que simultaneamente aos meus pais, que entraram pela cortina verde do outro lado que dava acesso à rua.

o violão começou a tocar, seguido pela guitarra portuguesa e, enfim, pela fadista. dedos rápidos, melodia belíssima, mas a voz dela era incrível. só consegui pensar na comparação com algum animal bem peludo molhado. comparação bizarra, eu sei, mas fez sentido na minha cabeça: é uma voz macia, muito macia, mas que se mostra também um pouco áspera, meio rouca. não sei, paradoxos musicais.

ela cantou alguns fados, depois em dueto com o violonista, e se seguiram várias apresentação ao longo da noite com diferentes fadistas. uma delas cantou fados mais animados, com a estrofe que marcou nossa viagem. cantávamos sempre (quando meu pai não surgia com "a nova loira do tchan"):

o prato de hoje
é uma sardinhada
é pinga da boa
e uma guitarrada


foi fantástico. fado é fantástico. assistir uma apresentação de fado bem feita, toda a emoção que é passada, é muito teatral, é fantástico. agora fazer isso, à meia luz de velas, num restaurante que parecia uma taverna antiga, todo de pedras, e comendo polvo com batatas e salada. posso estragar o resto do post dizendo que foi meu momento favorito de lisboa.

passeamos um pouco pela rua depois do fado - isso devia ser uma e pouco da manhã - e depois retornamos ao hotel, acordando no dia seguinte para tomarmos nosso pequeno almoço (esse incluso na diária, yes!) e nos mandarmos no esquema metrô e trem para cidade de sintra.

eu sou apaixonado por metrôs. que invenção magnífica foi essa? não tem melhor mesmo. o trem era ótimo também, mas metrô passa uma sensação de que você pode conhecer a cidade inteira com uma passagem só. me sinto bem em metrôs. como eu disse brincando hoje mais cedo, eu podia ter passado os três dias de lisboa só conhecendo todas as estações de metrô.

mas enfim, sem desvirtuar, sintra é uma cidade de portugal bem pequena há uns 50 minutos de trem de lisboa. é bastante conhecida pelos castelos e palácios por perto. adorei a cidade, o clima é ótimo e as pessoas são muito receptivas (achei isso em lisboa também, na verdade, principalmente quando dizíamos ser brasileiros, sempre conheciam alguém do brasil ou tinham alguma história pra contar, incrível!) - e quem acha que o pelourinho tem ladeiras, meu irmão, vá a sintra. minhas pernas dóem até agora! nem a dose de ginginha de cereja que eu tomei num copinho de chocolate me preparou pra isso.

pegamos um ônibus que nos levaria ao palácio da pena, onde a família real portuguesa passava as férias de verão, e ao castelo dos mouros, ruínas somente. a caminhada foi longa, íngrime e repleta de escadarias. minha mãe sucumbiu antes de chegarmos ao palácio da pena, ficando numa espécie de parque. seguimos eu e meu pai, então. conhecemos o palácio, tiramos fotos,mas quando descemos, ele se juntou à minha mãe e voltou à sintra vila, ficando eu responsável por conhecer o castelo dos mouros e tirar fotos.

digo que eles foram felizes em não ir, porque não aguentariam mesmo. são muito mais escadarias, com degraus muito maiores e com o acréscimo de serem malditas ruínas, então tinha degrau e pedra quebrada pra todo lado. mas valeu a pena. apesar do palácio estar impecável e o castelo em ruínas, me senti muito mais contente pela visita ao castelo. a visão era melhor, as ruínas davam um toque de realidade àquela construção antiga, desgastada pelo tempo. a dificuldade de subir os lances de escadas, com o ar cade vez mais, secando a garganta, valia a pena sempre que se olhava tudo em volta do alto das torres.

desci, então, de volta à sintra vila, onde encontrei com meus pais e retornamos com destino à estação de trem. no caminho, comemos uma queijada muito boa. recomendo. esse relato não exprime o espírito que a cidade passa, tem muito mais a ser visto lá do que simplesmente esse palácio e algumas ruínas. são jardins, museus, artistas de rua com aquarelas muito bonitas, ginginha de um euro, queijadas, o ar super agradável, as ladeiras que não matam e te fortalecem pras próximas viagens... a cidade é ótima.

voltamos para lisboa e conseguimos finalmente comprar nossas passagens de ônibus para salmanca - eee! pena que o ônibus sairia às 7:45 da manhã, tendo que estarmos na estação às 7h, logo, teríamos que acordar às 6h. não queria acordar às 6h numa segunda de férias, mas queria menos ainda perder minha vinda pra salamanca. dos males, o menor.

terminamos no shopping vasco da gama mais uma vez, onde eu comi na casa das sopas. vocês não têm noção. mesmo. panqueca de legumes refogados, salada de salmão, sopa de espinafre e 7up. tudo delicioso. mesmo. e muito barato. mesmo. eu me fiz nesse lugar, quero uma franquia em fortaleza já! ou melhor, em salamanca, porque quero pra agora.

domingo, o dia seguinte, foi nosso dia de turistas clichê. metrô, andamos a pé e pegamos aqueles city tour de ônibus abertos em cima - me rendeu um bronzeado digno de brasileiro, finalmente - que eu indico para todos: sempre que chegarem numa cidade, façam logo esse maldito tour. dá uma visão geral de tudo e ajuda a você focar no que você quer realmente conhecer e visitar melhor depois. foram umas três horas e pouco de tour, vimos todos os locais importantes de lisboa, incluindo a torre de belém, monastério dos jerônimos, museus, praças, embaixadas, prédios públicos, pontes, oceanário...tudo muito bonito. pena que não deu pra ver nada muito melhor, porque já íamos embora no dia seguinte e passaríamos o resto do dia na cidade de fátima.

ah, importante frisar minha nova habilidade: tirar fotos de pontos turísticos com o ônibus em movimento. sou um ás. claro que minha câmera com duplo foco para movimento (cof cof) ajudou bastante, mas eu contribuí também.

fátima foi aquela coisa... fomos de táxi - o taxista era muito gente boa, diga-se de passagem, meu pai não parou de conversar com ele a viagem inteira e ele tinha sempre coisas muito interessantes a contar - e lá tava quente e tinha velas elétricas pra você pagar e fazer uma prece e tinha muito comércio... sei lá, não fui com a cara. ainda acabou com a bateria da minha câmera e não me deixou tempo para conhecer melhor o oceanário, acho que isso ajudou ao meu ponto de vista negativo em relação à fátima.

voltamos à lisboa e passamos novamente no shopping vasco da gama, jantando na pizza hut e comprando como se não houvesse um amanhã. sapatos, óculos, casaco, blusa, drive de cd... tudo era motivo pr'eu aproveitar os euros do meu pai. me senti um hilton. só que bem menos heheheh

voltamos ao hotel de metrô e dormimos esperando o dia seguinte: a viagem de ônibus para salmanca. partindo às 7:45 da manhã com chegada prevista por volta das 18h. respirando fundo, digo que isso é motivo pra outro post.

agora já são 5:45 da manhã, sem sinal do sol e eu vou acordar em algumas horas pra fazer minha matrícula no curso de espanhol e me informar sobre minha bolsa e matrícula na universidad.

felicidades!



ps.: preguiça de colocar fotos a essa da manhã. quando eu resolver o que tenho pra resolver depois de acordar, faço um post rápido com algumas fotos de portugal e posto mais algumas coisinhas pra ficar em dia com blog.

6 comentários:

Waldy Sombra disse...

Achei tensa a parte do cartão de embarque. =x Invejinha branca, só pra quem tá na Eurooopa!!! xD
Eiii, e vê se posta mesmo as fotos!!!
A gente quer saber o que tá rolando por ai. o/

Anônimo #2 disse...

Adoro ver que tu escreve mais apaixonado quando é sobre comida, mais ainda se for boa e barata kkkkkkkkkkkkkkkk

Double G disse...

Quando li sobre o fardo na taverna lembrei da

"FÁ-TI-MA!
Mais uma vez:
FÁ-TI-MA!
Só pra lembrar:
FÁ-TI-MA!"

que fala o cardápio do restaurante enquanto canta.

Double G disse...

P.S.: Escrevi "fardo" porque odeio fados!

Ok, mentira...foi erro de digitação. Mas odeio mesmo fados!

Patricia disse...

ô, menino véi, tu não foi pro pavilhão do conhecimento não? só faltou isso no teu post!

de resto, inveeja! *.*

Unknown disse...

Muito bom acompanhar o blog! Quase chorei quando vc chorou; como vc coonseguiu não achar o cartão?! Se eu estivesse lá teria achado. Faltou vc falar que "fado é foda"

Abração!