quanto tempo, hein? faz muito tempo mesmo. e mais ainda pra mim, porque sim, estou num tempo-espaço distorcido em relação ao de vocês que me lêem em fortaleza, isso acontece quando você faz intercâmbio, sua percepção muda, e como o tempo é algo intrinsecamente sensorial, a passagem dele pra mim é completamente diferente da passagem dele pra vocês.
encarem isso como o início do meu processo de insanidade por morar pelo menos seis meses com quatro estudantes de psicologia e tentar acompanhar suas discussões madrugada adentro.
então, faz tempo mesmo. parti de fortaleza com destino a lisboa no dia 26 de agosto e, claro, meu intercâmbio tinha que começar com tensão e aventura desde o início, né? depois de atravessar a cidade num trânsito infernal das cinco da tarde pra chegar no aeroporto, enfrentar filas e sobrepujar burocracias, estou eu muito bem sentado na sala vip de espera, quando a chamada pro embarque do meu vôo é feita. pego minha mala, chamo meus pais e entramos na fila, quase os primeiros, mas logo temos que sair dela.
meu cartão de embarque sumiu.
assim, sem rodeios para más notícias. simplesmente sumiu. estavam os três guardados juntos, mas qual tinha que sumir misteriosamente? o meu, claro! procuramos em todos os possíveis locais: mochila, dentro dos passaportes, dentro da pasta de documentos, casacos, bolsos, sapatos, sala de espera, balcão da polícia federal, banheiros, chão do aeroporto... e nada. sumiu mesmo.
contido como sou, mative a calma e continuei impassível, mas, sem mais alternativas, me prendi num ciclo vicioso de procurar repetida e compulsivamente nos mesmos locais, como se ele fosse surgir por brotamento de repente, não mais que de repente. eis quando me chamam e dizem que os funcionários do aeroporto conseguiram um meio de me embarcar no avião somente apresentando meu passaporte.
diminuição de burocracia desnecessária? boa ação para otimização de karma? propina? nunca saberei. só apressei meu passo e aproveitei a oportunidade antes que pudessem mudar de idéia. entrei no avião sem quase dar boa noite e me instalei. sentei-me na poltrona, pedi um chiclete pra ajudar na decolagem e comecei a chorar.
quem me conhece sabe o quão raramente isso acontece. nos últimos dez, quinze anos, eu posso contar umas cinco vezes. poisé, agora são seis. chorei sim, de estresse acumulado, de raiva por não ter eu mesmo tomado conta do meu cartão de embarque, por conta de pensamentos nostálgicos, de pensamentos ansiosos, de todo aquele bolo que fazia o maldito nó na garganta. tudo pra fora. antes que o avião pudesse estabilizar a rota de vôo, já estava recomposto.
assisti homem de ferro 2 e comi caçarola de frango. o vôo seguiu sem maiores emoções.
saí do avião feliz da vida, sem me importar em não ter roubado o cobertor, sem me importar em entrar na fila errada da imigração e ter que voltar pro final, sem me importar em ser entrevistado pelo agente, sem me importar com o fato de que os tickets de toda nossa bagagem estavam juntos justamente com qual cartão de embarque? o meu, claro!
pegamos nossas malas e seguimos, tentando não parecer muito culpados. sucesso. cortei o cabelo e fiz a barba antes de viajar, carinha de bom moço com mamãe e papai juntinhos, não olharam pra gente duas vezes - mas para o colombiano de dreads e mochilão que vinha depois...
respirei fundo o ar frio de lisboa e me segurei muito pra não correr pelo aeroporto inteiro com minha mala de rodinhas, bem como um estudante da segunda série corre pelo colégio saindo da aula. teria sido um momento lindo, mas completamente inapropriado. pegamos uma BMW de bancos de couro linda como táxi e nos mandamos para Holiday Inn, onde seríamos tratados como merecíamos.
lisboa, beijos! vou cochilar e te conheço melhor já já.
enfim, tô de boa em lisboa!
ps.: escrevi essa merda três vezes, cada vez mais puto, porque o blogspot gostade frescar com a minha cara. saiu isso. me deixem em paz.
2 comentários:
tããão chique de boa em lisboa, meu deus.
e tu é muito chorão, eurico, ave maria. aprenda comigo a conter as emoções ;D
;*
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