para ficar em dia com o blog e poder realmente postar as coisas à medida que aconteçam, vou falar agora da minha vida pra salamanca e do que aconteceu até agora.
com as passagens compradas, chegamos à estação oriente (de comboios e ônibus) sem maiores problemas, com nossas malas e sacolas, e ficamos esperando o ônibus chegar. atrasou. certo, sem problemas. a cadeira era meio dura, o protetor do banco (que teoricamente serve para você não encostar a cabeça onde mil pessoas enconstaram) estava imundo, cheio de cabelo alheio
- quem me conhece sabe que uma das coisas que me causa asco é fio de cabelo avulso. tirei, claro.
saímos da estação às oito da manhã e, mesmo com o ônibus chacoalhando e a poltrona desconfortável, consegui dormir, acordando algumas vezes pra olhar em volta, conferir a hora e sentir dor no pescoço.
tivemos que mudar de ônibus em determinado momento e ouvimos, despretensiosamente, a conversa entre os dois motoristas, que comentavam que se o outro tivesse se atrasado um pouco mais, teríamos perdido a conexão. que beleza! além disso, ele estava preocupado com overbooking, poderia não haver lugares suficientes para todos. que maravilha!
tiramos nossas malas do ônibus sem supervisão de ninguém, sem apresentar nenhum ticket, comprovante... niente. poderíamos ter levado as malas que quiséssemos, mas nenhuma nos apeteceu, ficamos com as nossas mesmo. corremos para o outro ônibus e conseguimos lugares lá atrás.
ao nosso lado, um português que não gostava muito de conversa, mas que nos ajudou com informações durante toda a viagem, do outro lado um espanhol que cheirava a bebida e cigarros, na nossa frente, uma espanhola mochileira folgada que ocupou duas poltronas a viagem inteira, e, bem mais na frente, uma portuguesa trintona que utilizava de tapas para chamar a atenção dos seus filhos capetas, hiperativos na certa. uns loiros e loiras espalhados - daqueles cabelos loiros bem claros, bem... ABBA (não sei que raios foi essa comparação, mas deixei porque foi a primeira coisa que me veio em mente, apesar de que children of the corn seria mais cabível). lá na frente, uma senhora freirinha.
a paisagem não achei tão bonita como foi no caminho para sintra e fátima, onde você percebia aquelas coisas que aprendeu na aula de geografia da quinta série. essa me lembrou bastante minhas viagens pelo interior do nordeste, pernambuco e paraíba (não que não sejam bonitas, mas são comuns pra mim, então não chamaram muita atenção).
a coisa mudou de figura imediatamente quando passamos pela fronteira com a espanha. sério, parece brincadeira, mas mudou muito. muretas e casebres de pedra tomaram conta da paisagem, ainda com a paisagem cerradoish.
na fronteira, agentes federais pediram para checar os passaportes de todos os viajantes. segundo o português que estava ao nosso lado, primeira vez que ele viu isso acontecer em quinze anos que fazia o percurso.
paramos para comer num restaurante de um posto, logo depois do posto policial. conferimos o self-service, mas preferimos não nos arriscar com paella de beira de estrada e confiamos no pan con queso mesmo. incrível como, apesar dos vinte avisos de "proibido fumar" que estampavam todas as paredes, muita gente fumava lá dentro.
falando nisso, todo mundo aqui fuma. nunca vi tanta gente fumando. josé serra, vem pra cá e desiste dessa presidência!
seguimos viagem e eu segui dormindo, acordando pra conferir a hora, olhar em volta e sentir dores no pescoço. chegamos em salamanca e não vou mentir que fiquei um pouco decepcionado. achei a cidade feia. pensei logo: eita, vou morar aqui nos próximos doze meses?
pegamos um táxi e fomos pro hotel que meus pais ficariam, enquanto eu já iria para o apartamento com mis futuros roomates. o caminho não mudou minha impressão em relação à cidade, continuei achando feinha e já começava a ficar tenso com isso. eu tava com expectativas altas demais?
chegamos ao hotel. porta giratória. eu só tinha usado em bancos, gente, foi o máximo passar numa de um hotel. eles têm aquele carrinho pra levar as bagagens e sininho no balcão da recepção, onde um senhor espanhol que muito bem poderia ser um personagem nos atendeu. o hotel era o máximo. espelho em todo canto, eu ia até contar, mas desisti. até porque no hall as paredes eram totalmente espelhadas, isso conta como só um? não causa o mesmo efeito. os elevadores, idem, mas com um espelho escuro. achei o máximo.
tudo era mármore, granito, espelhos e ouro. travesseiros de pena, colchas mais macias que vi na vida e um chuveiro complexo demais pr'eu conseguir dosar a água gelada com a fervente. me doeu sair de lá para ir atrás do apartamento, mas tudo bem.
descobri onde nosso piso ficava: exatamente em frente à estação, que conveniente! pai, me mande euros pr'eu viajar, hein? é só atravessar a rua. literalmente. e o melhor: não tem barulho de trem! fiquei tenso com isso. seria um inferno se de quinze em quinze minutos, tudo tremesse no apartamento e tivéssemos que usar algodões nos ouvidos. ufa.
o piso é ótimo. estamos no terceiro andar, temos um elevador com uma moça escondida que fala sempre com a gente quando as portas vão fechar e abrir, quando o elevador está subindo e descendo e avisando em qual planta paramos. ela é muito atenciosa.
meu quarto fica na cozinha, é meio que a dependência de empregada, mas já deixei claro pra todo mundo que não é por isso que eu vou fazer a faxina sozinho. é todo revestido de madeira. a mesma madeira que reveste também os móveis do meu quarto. me senti um pouco num caixão na primeira noite, só pra entrar no clima do fantasminha que divide o quarto comigo.
falando nisso, nada de contatos de terceiro grau ainda. tô pensando em comprar um tabuleiro ouija pra trocar uma idéia. não brinco com copo nem com compasso porque tenho medo.
o pessoal parece ser todo gente boa, hein? quatro estudantes de psicologia, uma de belas artes. estão em um impasse se o apartamento do seu ramon vai ser apelidado carinhosamente de casa da mãe joana ou yellow submarine. quem sabe submarino da joana ou casa amarela. ou submarino-casa ou joana amarela. mãe submarino? mãe submarino é uma boa.
enfim, jantamos e conversamos até de madrugada. isso é um ritual. acordar tarde é outro, não tô me sentindo nem um pouco turista, mas como se fosse um salmantino mesmo. foi rápido, né?
e agora vem ao caso, a cidade não é NADA feia. mesmo. do meu piso pra lá é, na verdade, porque é a área mais recente. prédios sem charme nenhum, nada interessante. mas do piso pro lado do centro, da plaza mayor. que coisa fantástica. a plaza é uma coisa lindíssima. os prédios daquelas bandas são lindíssimos, tudo em terracota, pedra, bonito demais.
jantei com meus pais na plaza no dia seguinte, salada caesar e uma outra de lagostín y salmón. hum hum! muy bueno. despedimo-nos e voltei a pé de madrugada para o piso, porque aqui pode, cantando somewhere over the rainbow nas alturas.
que mais? que mais? fiz a feira com o pessoal e já estou criando métodos de otimizar esse processo. quero que minha tarefa seja fazer a feira também: planejamento do que comprar, orçamento, logística... claro, tô usando o excel. descobri com meus coleguinhas psicólogos que sou obsessivo (alguém tinha dúvidas?).
ah! ontem, finalmente, fui para minha primeira noite salmantina. pingando de bar em bar, de chupiteria em boate. tomei cerveja duff (SIM, a dos simpsons), diablo rojo e diablo verde. a duff é uma cerveja normal, boa. diablo rojo é absinto com ginseng. tem gostinho de chá, me lembrou logo china - quero ir pra china, mas tem tanta coisa mais próxima pra conhecer. diablo verde é absinto com... bem, cannabis. é bem mais forte, vale salientar.
nada aqui paga pra entrar. na verdade, os bares têm funcionários exclusivamente pra catar gente na rua e convidá-las pros bares, onde a segunda cerveja é quase sempre de graça. capciosos. assim, ninguém passa a noite no mesmo canto, é pingando mesmo, conhecendo tudo e pagando só uma cerveja em cada canto, aproveitando a segunda grátis.
cantar pelas ruas continua sendo um hábito, mas agora mais solitário. na universidad de salamanca deve ter um coral, né? né possível. e um grupo de teatro, né? tem que ter, tem belas artes. papai, não me julgue, vou atrás dessas coisas mas já tenho minhas cadeiras de direito internacional em mente, vou estudar também, hein?
e agora acho que é isso. tô em dia com o blog, ê!
não tô em dia é com as coisas que tenho que fazer:
-comprar um celular pré-pago
-fazer matrícula na escuela de español
-fazer matrícula na universidad
-comprar um tênis novo enquanto estão na rebaja (rebajo?)
ah! dicona: não andem de tênis na chuva. ele encharca.
aqui choveu pesado já, com direito a raios e trovões e abrir a janela com o vento forte. aaahhh meu quarto revestido de madeira vai me fazer tão bem no inverno que eu não vou nem me importar dele cheirar a tudo que é preparado na cozinha. compro um air wick freshmatick e não se fala mais nisso.
agora é fim. beijos!
3 comentários:
Tô me sentindo lendo um novo livro de Harry Potter. E tu praticamente mora no armário embaixo da escada. huaehuaehuae Mas tenho certeza que as diversões vão ser menos infantis.
Divirta-se e nos entretenha, euricovsky. ;****
Harry Potter?
Os absintos são as porções Polissucos?!
Em que elas te transformam?
Ihh...acho que aventuras menos infantis são uma certeza. =X
Cannabis?!? WTF. Vou contar...
Cuidado. Sério.
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