domingo, 10 de outubro de 2010

de évora

abrindo-se as portas da esperança, ganhei passagem e hospedagem numa viagem pra évora (cidade portuguesa a uns 390km a sudoeste de salamanca, mas cerca de 130km a leste de lisboa)

não, nem comprei o carnê do baú, foi mais uma desistência alheia de última hora que me concedeu essa oportunidade. aceitei, né? fazer o que.

virar a noite pra poder pegar o ônibus que sairia de salamanca com destino a madrid às seis da manhã, para poder pegar outro que seguiria para évora às nove e meia.

o primeiro trecho foi num ônibus muito antigo, que ainda ostentava suas partes de madeira, e não foi nada confortável, apesar de ter sido uma viagem de apenas duas horas: dormi mal e fiquei com a garganta bastante irritada.
descemos do ônibus em madrid e fomos direto à lanchonete, foi quando nos perguntamos se estávamos na estação correta (que garotos sagazes!). o problema é que, caso não estivéssemos, nosso ônibus capenga provavelmente já teria partido.

corremos a estação inteira e não encontramos mais nosso ônibus na vaga, perguntamos meio que afoitamente para uma senhorinha que estava ao nosso lado, mas estávamos sim na estação correta. ufa!
voltamos caminhando lentamente para a lanchonete, onde mal tivemos tempo para comer alguma besteirinha e já era a hora de partirmos: o ônibus era ótimo. seria como a primeira classe dos transportes rodoviários, hein? não fossem as malditas paradas para os que precisavam comer e ir ao banheiro (aparentemente, nenhum ônibus tem banheiro por aqui. nem os que suportarão viagens de quase doze horas. vide minha ida de lisboa para salamanca) eu teria dormido lindamente quase a viagem inteira, mas tudo bem.

chegamos em évora e partimos para o hotel (uh! viagem em hotel e não em albergue) que era até bem simpático, mas vacilava na wifi defeituosa, o que nos forçou a depender das migalhas do computador comunitário do próprio hotel, mas que estava sempre - sempre - ocupado.
a primeira noite eu passei no hotel, já que dois dias inteiros em évora me esperavam e a cidade não tem lá muita coisa pra ver (sendo sincero, conheça évora durante sua viagem pra lisboa. você vai e volta de évora em duas horas e com certeza conhece o que há de interessante na cidade em não muito mais que seis ou oito horas).
mas minha noite foi interessante, assistir family guy e hard times of RJ Berger em alemão e um capítulo inédito de caras e bocas.

dia seguinte começou com muita chuva, ao que decidimos ignorá-la uma e pouco da tarde e enfrentar a cidade molhados mesmo (não estou completamente seguro se essa foi a melhor decisão agora).

enfim, durante esses dois dias andamos bastante. mesmo. até porque, como tínhamos muito tempo e pouca coisa pra ver, decidimos não seguir nenhuma ordem lógica nos locais a serem visitados, então simplesmente andávamos quase que aleatoriamente pela cidade e visitávamos o que estava por perto, de modo que vimos várias vezes a mesma coisa, inclusive, ficaria bem repetitivo narrar tudo aqui.

évora é uma cidade de bastante igrejas (uau), uma catedral bonita (uau), uma capela feita de ossos (olha as coisas melhorando....), um templo romano dedicado à deusa diana (ui), um prédio da inquisição posteriormente utilizado como centro de filosofia (irônico, não?), um parque bem legal quase bicentenário com umas ruínas dentro sabe-se lá de qual época e cheio de pavões (uh!), a universidade, que realmente te leva pr'um clima acadêmico de umas centenas de anos atrás, um castelo fechado, museus pagos que não vimos, um mundo de restaurantes (casa de kebab, medieval típico, pastelarias... pra citar os  que frequentamos), muita, mas muita chuva e um cheiro de frango assado quase constante.

visão de uma pracinha: templo de diana em primeiro plano, museu de évora e lá no fundo a catedral.




"nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos", como dizia a inscrição na entrada da capela dos ossos.



a poucos metros de onde eu tirei essa foto era onde queimavam as pessoas na inquisição (prédio à esquerda). essa estátua no esquife de pedra é de um incinerado, em protesto tenso ao tribunal da inquisição. ao fundo, mais uma vez, o templo de diana.



universidade de évora.




pavão no alto das ruínas do jardim de évora.



andando por algumas de suas ruas, mais uma vez, eu poderia jurar que estava no interior da paraíba. a influência portuguesa no interior nordestino é incrível. eu tenho certeza que vi a casa da minha avó uma vez ou outra.

outra coisa interessante é que os evorenses são muito preguiçosos. tá, não é bem assim. explicando: queríamos ir ao pingo doce, um supermercado onde teoricamente haveria um restaurante ou lanchonete ou algo do tipo dentro (teoricamente. nunca superarei), perguntamos, então, aos evorenses que encontramos no caminho onde era o tal supermercado, e a resposta era sempre a mesma: algo entre "uf! ... muito longe. uns setecentos metros pra baixo" e "muito, muito longe... estão de carro?".

que? nem dez minutos depois e estávamos no maldito pingo doce. e desde quando setecentos metros qualifica algo como ufmuitolonge? sinceramente... chegamos à conclusão que não são os turistas que utilizam os táxis dentro da cidade, mas os próprios evorenses. tsc.

enfim, conhecemos tudo apontado no mapa turístico e mais um pouco e ainda nos encontramos às cinco da tarde sem absolutamente mais nada que fazer a não ser esperar pelo nosso ônibus que partiria pra madrid. às onze e meia da noite.
uma maratona de observar pássaros, debater acerca de combates entre animais (ganso, texugo, canguru, coala... será que eles quatro juntos derrubam um leão? reflitam) e um possível produto arrebatador depois, estou na estação de ônibus agora mesmo, ainda às nove da noite, aproveitando a falta de wifi aqui também (eba!) pra escrever logo o post sobre évora.

a estação está fantasmagórica, sem viv'alma. lá fora ainda chove um pouco (agora é importante frisar que a chuva não me fez bem, mas sou forte. mãe, pai, não se preocupem!) e duas horas nos restam pra retomar a saga dos ônibus. acabamos de ser avisados que temos que esperar do lado de FORA, então tchau.

esperamos algumas horas do lado de fora, deitados no chão gelado do pátio da rodoviária, enquanto quatro malditos taxistas riam e se divertiam com alguma coisa secreta no porta-malas de um deles (as apostas estão entre um cadáver ou animais silvestres contrabandeados) em seus carros quentinhos. tudo bem, terão o que merecem.

o ônibus chegou com vinte minutos de antecedência. VINTE MINUTOS MAIS CEDO. e foi embora em três minutos. ou seja, que é isso? que loucura. lado bom de ter ficado plantado lá antes.

a felicidade me inundou quando entrei no ônibus, tanto que nem fiquei tão puto com os árabes malditos que conversaram super alto a viagem de mais de seis horas inteira ou os africandos que ficavam ouvindo kuduro sem se importar com o volume do seu celular (everyone's a little bit racist...)

madrid... salamanca... tudo deu certo. cheguei no apartamento e capotei sem nem desfazer a mochila. acordei algumas quatro horas depois pra almoçar, tomar um banho, fazer a barba, lavar minhas roupas... me senti uma pessoa melhor depois desse ritual. só me falta mesmo a massagem de 1€ ali da poltrona da estação. me aguarde!

2 comentários:

Patricia disse...

óóó, vá ficar doente não! muito contra-produtivo!


e o tango de évora? justifica-se por alguma coisa?

:*

Unknown disse...

Lindas fotos, como sempre.

Ei, dá uma clicada nesse link pra me ajudar com as tais promoções rsrsrs

http://wii.cooltre.com/?r=y33h

depois deleta. Abraço