terça-feira, 28 de setembro de 2010

de valladolid

aprendendo com nossos erros passados, compramos as passagens para valladolid com um intervalo de tempo menor entre a chegada e a saída. dormiríamos mais antes de ir e voltaríamos mais cedo para casa, sem as tediosíssimas horas de ócio.

nossa ida estava marcada para oito da manhã. não pude comprar minha passagem, então meus coleguinhas compraram pra mim - e tiveram a idéia de ficarem todas as passagens com uma pessoa só.

porque isso não me pareceu muito seguro desde o início?

chegamos na estação de ônibus com certa antecedência, cerca de meia hora antes, para não haver tempo para surpresas. mas as surpresas sempre arrumam um tempinho pra visitar, né mesmo?

cinco pras oito e nenhum sinal das meninas, que estavam com todas as passagens. maldição! não acredito que eu acordei cedo e me taquei pra estação de ônibus pra não viajar.

nem falo do dinheiro, porque enfim, responsabilidade civil tá do meu lado. e se não estiver, eu daria um jeito pra que estivesse (olha quantas conjugações do mesmo verbo, que loucura).

quatro pras oito. os comentários eram de que perdêramos nossa viagem. já era, fica pra próxima, hasta la vista.

três pras oito. já não havia mais ninguém além de nós três, desolados, do lado de fora do ônibus. bem, nós e o motorista, que acompanhava os ponteiros do relógio se aproximando do 12 pra poder ir embora.

dois pras oito. malditas meninas, aparecem ainda desgarradas, porque algumas decidiram ir ao banheiro. HA. pelo menos a portadora das passagens foi a primeira a chegar.

me adiantei pro meu lugar e suspirei ao sentar no meu querido assento. e esses ônibus nem são tão bons, apesar de ainda melhores que o da minha viagem de lisboa para salamanca (mas também, qual não é? tive saudades dos ônibus de viagens escolares).

valladolid fica a cerca de 120km a nordeste de salamanca, tendo a viagem não tão mais que duas horas. o caminho não teve nada de interessante a não ser o que pode vir a se tornar uma das paisagens mais bonitas da espanha: enormes campos de girassóis, com centenas e centenas e centenas deles.

todos mortos, obviamente, uma vez que estamos no outono. mas imagem a maldita dessa visão na primavera? (ainda é meio esquisito falar de estações do ano, já que sou acostumado com sol e chuva e só)

chegamos a valladolid e a cidade já funcionava, claro. demorar mais que isso seria demais, né? já basta a siesta.

nossa primeira parada: campo grande, um parque muito bonito. mesmo. cheio de pokémons dos mais diferentes tipos, desde esquilos, pavões reais, pavões albinos, galinhas de fogo (sério, faltou foto delas, mas certeza como eram de fogo), pombos famintos e patos, muitos patos.

 squick, squick! own :3

em seguida, fomos ao museu de cervantes, com uma biblioteca histórica fantástica (se você quiser um livrinho de lá, até pode tirar... mas tem que mandar uma carta pro ministério da cultural da espanha com algumas semaninhas de antecedência pra receber - ou não - uma autorização) e uma réplica da casa que miguel de cervantes teria vivido.

 edição original de dom quixote.

continuamos com nossas andanças, conhecemos a plaza mayor (pft, salamanca ganha bonito), vimos uma exposição meio que... não muito do meu gosto (poemas concretistas, olavo bilac feelings), algumas praças, algumas igrejas (uma, inclusive, com um casal tirando fotos e fazendo vídeos para o seu casamento), conhecemos a playa de valladolid (um rio que colocaram areia na margem e uma barraca. erm... não convenceu muito, me lembrou mais o cocó que a praia do futuro, na verdade. pelo menos tinha cisnes. cisnes sempre deixam as coisas mais bonitas. mas prestem atenção, CISNES, gansos não. gansos matam), vimos um cachorrinho de dreads, passamos pela catedral (onde eu queria muito ter visto apresentações musicais com os órgãos, mas não era nesse dia...), estátua de miguel de cervantes, vimos vários prédios da faculdade, descansamos na sombra do prédio de letras e filosofia, durante a siesta, claro, que nada mais funciona.

casalzinho fazendo fotos e vídeos na frente da igreja (de... san pablo?)




la playa. humrum, senta lá na areia.


 pracinha com estátua de cervantes e a catedral ao fundo.

conhecemos um museu de arte sacra.

eu tenho um pouco de medo de arte sacra. principalmente quando é meio trevas, como era desse museu: escaras, sangue e expressões de terror em tudo e todos. e eu sou viciado em tirar foto em perspectiva das expressões das estátuas, aí fico com medo de novo quando vejo as fotos.


ai.


enfim, o resto do nosso tempo em valladolid ficamos nesse museu e em outro menorzinho, também de arte sacra. deu nossa hora e fomos pegar nosso ônibus, com pena por não ter dado tempo de ver todos os museus - maldita siesta! -, mas felizes por não ter horas e horas de ócio.


momento destaque: manifestantes nas ruas de valladolid. irmãos metralhaaa!


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